Uma das maiores ofensivas recentes da Polícia Civil de São Paulo resultou na captura de 155 foragidos da Justiça e na prisão em flagrante de outras 17 pessoas durante a Operação Captura, deflagrada entre terça e quarta-feira (14 e 15) na Baixada Santista e no Vale do Ribeira. A ação mobilizou 365 policiais e 126 viaturas, com foco em desarticular redes criminosas e cumprir mandados de prisão em aberto.
De acordo com o delegado-diretor do Deinter-6, Luiz Carlos do Carmo, os resultados refletem o impacto direto de operações planejadas baseado em inteligência policial. “Essa foi uma das maiores operações já realizadas na região. Os números expressivos representam uma resposta concreta e firme ao crime e os efeitos decorrentes da operação são altamente positivos. Além de reforçar a percepção social de justiça, a ação enfraquece diretamente as estruturas criminosas, ao retirar do convívio social indivíduos que, em sua maioria, já desempenham funções na engrenagem do crime”, afirmou.
A ofensiva teve como base o cruzamento de dados do Banco Nacional de Mandados de Prisão com ferramentas de monitoramento, permitindo reconhecer bandidos que se escondiam na área, inclusive vindos de outros estados. A estratégia também desencadeou o “efeito colateral” que, ao buscar foragidos, a polícia acabou identificando outros crimes em andamento.
Casos de roubo, receptação, violência doméstica, perseguição (stalking) e até homicídios foram esclarecidos ou tiveram autores detidos durante a operação. Em muitos casos, segundo os investigadores, os suspeitos já estavam em atividade criminosa no momento da abordagem, o que levou a prisões em flagrante.
Laboratório de drogas e armamento pesado
Um dos desdobramentos mais relevantes ocorreu em Guarujá, onde os agentes localizaram um laboratório clandestino de refino de drogas. No imóvel, foram confiscados insumos químicos, panelas industriais, anotações e equipamentos usados na produção de entorpecentes.
Também foi avistado um fuzil com carregador, recolhido para perícia. A investigação, conduzida através da Delegacia de Homicídios do Deinter-6 em Santos, apura a ligação do local com crimes como homicídio, sequestro e planejamento criminosa.
De acordo com a investigação, a jovem Maria Eduarda Cordeiro da Silva, de 20 anos, conhecida como “Duda Encrenca”, foi sequestrada, torturada e executada por integrantes de uma facção criminosa em Guarujá. O corpo ainda não foi localizado. Quatro pessoas foram apreendidas no mês de fevereiro.
Crimes vários e impacto regional
A operação revelou uma ampla diversidade de crimes praticados pelos detidos. Dentre eles, furtos de carga, receptação de mercadorias, incluindo grãos e fios de cobre, além de crimes contra a mulher, como violência psicológica, prevista no artigo 147-B do Código Penal.
Em um dos casos, na área da General Câmara, em Santos, um suspeito foi detido com por volta de três toneladas de grãos subtraídos e materiais metálicos, que seriam revendidos ilegalmente.
A polícia também atuou em regiões consideradas críticas, como comunidades com presença de barricadas e histórico de confrontos munidos com armas, a exemplo da área da Vila Gilda, no Rádio Clube, em Santos. Mesmo em locais de difícil acesso, os agentes foram capazes de cumprir mandados sem registros de tiroteio.
Além do impacto imediato na retirada de bandidos das ruas, a operação busca ampliar a sensação de segurança e reforçar a confiança do povo nas forças de segurança. Para o delegado, o planejamento foi determinante. “Há um ditado policial que diz que, quando a ação é bem planejada, não há disparo. Foi o que aconteceu. Pegamos esses indivíduos de surpresa”, explicou.
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Com informações de Santaportal


