O nome era um tipo de “currículo”, que reunia referências a reis anteriores da dinastia, alianças com outras casas europeias e devoções religiosas. Em monarquias hereditárias, era preciso convencer que aquele pessoa tinha “direito natural” ao trono. Dessa maneira, o nome de batismo reforçava o prestígio e a legitimidade de uma linhagem.
Essa tradição europeia veio para o Brasil com a corte portuguesa em 1808. Dom Pedro I, por exemplo, foi batizado como Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim. Já seu filho, Dom Pedro II, recebeu o nome de Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga.
Incluir “João” ou “Carlos”, por exemplo, evocava reis anteriores; “Leopoldo”, ligação com a Casa de Habsburgo. E menções a santos e arcanjos, como Miguel, Gabriel e Rafael, associavam os monarcas à proteção divina – já que, em Estados de forma oficial católicos, como Portugal e subsequentemente o Brasil Império, governar também era visto como uma missão sancionada por Deus.
Claro que, no dia a dia, ninguém passava horas chamando o imperador através do nome completo; eles usavam exclusivamente o primeiro nome e o título de Dom. Toda aquela lista quilométrica ficava guardada para ocasiões oficiais, documentos diplomáticos e cuidados internacionais.
Pergunta de Robson Vilanova Ilha, São Sepé (RS)


