Conhecida regionalmente através da aplicação pioneira de lentes de contato de uso humano em cães, a médica-veterinária oftalmologista Laís Belli, com atuação em Itanhaém, no litoral de São Paulo, avança em mais uma fronteira clínica: a utilização de colírio de insulina manipulado como ferramenta terapêutica para acelerar o reparo tecidual de córneas lesionadas em pets.
O protocolo foi desenvolvido em cooperação com a oftalmologista veterinária Natália Napolitano e o endocrinologista veterinário Matheus Abud. Trata-se de uma intervenção que tem especialização e ainda restrita a centros de pesquisa, adotada principalmente quando os remédios tópicos convencionais deixam de produzir resposta clínica satisfatória.
O hormônio é aplicado diretamente no olho e age no processo de cicatrização em casos de machucados na córnea.
“O colírio de insulina é um colírio manipulado, feito com insulina, o mesmo hormônio que conhecemos do tratamento de diabetes. A diferença é que, nesse caso, ele não é aplicado no corpo do animal, e sim diretamente no olho, em forma de gotas”, explica Laís.
Conhecida principalmente através do controle da glicose, a insulina poderá também atuar como estímulo para o crescimento e renovação celular. Segundo Abud, quando aplicada na córnea, a substância interage com os receptores presentes no tecido e sinaliza para que as células se multipliquem e migrem até a área lesionada, auxiliando no processo de cicatrização.
Alternativa em casos específicos
A abordagem ainda fica em fase experimental. Laís conta que usa a técnica como uma alternativa, quando os métodos tradicionais não apresentam os resultados esperados. Em menos de um ano de uso os resultados vêm mostrando resultados positivos.
Em menos de um ano de uso, segundo a veterinária, os resultados observados têm sido positivos.
“Tenho tido sucesso no tratamento de úlcera indolente com o colírio de insulina. Recentemente, estou acompanhando dois casos que, a princípio, teriam indicação cirúrgica, mas como os pacientes não podiam ser submetidos a uma cirurgia, optei por tentar o colírio de insulina como alternativa”, destaca a Dra. Laís Belli.
Matheus e Laís afirmam que o novo método tem sido usado sem causar ardência. No entanto, a aplicação exige cuidados com a dosagem e acompanhamento profissional, o colírio não deve ser usado em casa sem direção.
Na oftalmologia humana, o tratamento ainda não faz parte da rotina padrão dos consultórios, mas é usado em casos específicos, principalmente quando as alternativas não apresentam resultados.
O principal potencial do colírio de insulina é auxiliar na aceleração da cicatrização da córnea quando ela não consegue se recuperar sozinha da maneira esperada. Ele pode ser inclusive útil em casos em que a ferimento demora para cicatrizar ou quando os tratamentos convencionais não estão trazendo bons resultados.
Com informações de Santaportal


