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Itanhaém

Felicidade no trabalho: ricos valorizam mais depois dos 30 anos

10 de maio de 2023

Contrariando o senso comum, uma pesquisa da Onlinecurriculo descobriu que é na juventude o período no qual a classe média pensa em mudar de carreira para obter felicidade no trabalho, enquanto quem vem de classes mais altas começa a dar importância para o assunto após os 30 anos. O estudo conduzido no mês passado consultou 500 pessoas acima de 16 anos, de todos os perfis socioeconômicos e regiões do país sobre suas opiniões a respeito da transição de carreira. 

Pelo menos 41% dos participantes pertencentes às classes A e B entre os 30 e 39 anos disseram considerar mudar de carreira para obter mais propósito e felicidade no trabalho. Já entre a classe C, que possui renda equivalente a da classe média, 42,4% dos participantes dos 16 aos 24 anos afirmaram ter o objetivo como meta ao buscar uma nova área. Entre os mais pobres, pertencentes às classes D e E, este desejo também é grande. Pelo menos 35% dos jovens nesta faixa etária levam isto em consideração. 

Para os participantes da pesquisa, a satisfação no trabalho pode vir ainda em várias roupagens. Outros motivos citados para a transição de carreira, além da busca pela felicidade em si, foram a busca por uma jornada de trabalho flexível, melhora da saúde física e mental, viabilidade de prioridades pessoais como casamento e nascimento de um filho, dentre outros.

Importância da felicidade

Entre os adolescentes e jovens adultos de classes mais altas, a relevância da felicidade no trabalho para motivar uma mudança de carreira é quase a metade dos grupos já citados: cerca de 23%. Para quem passou dos 40 anos, o tema volta a importar apenas para 25,5% dos participantes. 

Curiosamente, é nos primeiros anos da vida laboral que a classe média cogita mudar de área pensando em ser mais feliz. Com o passar dos anos, esse aspecto vai deixando de ser uma razão chave para a busca de uma nova carreira. Após os 25 anos, pelo menos 34% dos respondentes ainda se importam com isso, caindo para 13,6% após os 50 anos.

“Pode ser porque encontraram a área ideal já no início ou porque descobriram não ser felizes no trabalho bem cedo e já realizaram a transição… De qualquer forma, é um dado interessante. Ainda que as finanças sejam uma questão para a classe média, ela pensa logo cedo em conciliar o trabalho com a satisfação pessoal”, opina Lotte van Rijswijk, Content Team Lead da Onlinecurriculo.

Uma surpresa dos resultados foi a queda do motivo entre os participantes das classes D e E na faixa dos 25 aos 29 anos. Apenas 9% deles disseram que mudariam de carreira para perseguir a felicidade. 

Apesar de importar mais para alguns que para outros, as empresas têm se preocupado em oferecer políticas que incentivem a felicidade no trabalho, como forma de reter talentos. Durante a pandemia, o cargo de gestor da felicidade se popularizou, alcançando big techs como o Google. Percebendo o crescimento da demanda, o Instituto Feliciência, um centro de formação nos campos da ciência relacionados ao bem-estar humano e à felicidade, trouxe a certificação Chief Happiness Officer para o Brasil em março de 2020.

Após a formação, o salário de um profissional com este cargo pode variar entre R$ 15 mil e R$ 30 mil reais. E os benefícios deste investimento são provados cientificamente. De acordo com uma pesquisa da Harvard Business Review, colaboradores satisfeitos são 31% mais produtivos, 85% mais eficientes e 300% mais inovadores. 

“É irrefutável que quando as empresas olham para as necessidades de seus colaboradores para além dos benefícios e salários, a satisfação com o emprego e vontade de trazer retornos cresce exponencialmente”, diz Lotte. 

Mas dinheiro também importa

Apesar de a felicidade pesar bastante para alguns profissionais que desejam mudar de carreira, a maioria ainda busca a melhoria dos salários e os benefícios ao fazer a transição. Apenas entre as classes mais altas nos grupos de 40 a 49 anos e 50 ou mais é que os profissionais não levam o lado financeiro tão em conta para trocar de profissão. 

Outros motivos que praticamente empatam com o aumento de salário e benefícios (mencionada por 41,8% desta faixa etária) foram a necessidade de mais saúde física e mental e a vontade de explorar novas habilidades, cada uma citada por 39,5% dos participantes. Para as classes média e baixa nesta faixa de idade, a remuneração ainda motiva 66,4% das pessoas a mudar de carreira. 

Independente de qual seja o incentivo, o receio de se frustrar com a nova área e não encontrar oportunidades ainda impedem os jovens e adultos de 16 a 24 anos vindos das classes mais altas de mudar de carreira. Entre a classe média e baixa, a preocupação em dominar a nova habilidade é maior. Para driblar estes empecilhos, ambos os grupos disseram considerar mais o apoio familiar como suporte. 

Os profissionais acima dos 25 anos, nas classes altas, possuem os mesmos medos de seus colegas no início de carreira, assim como os de classe média e baixa. No entanto, para ambos, a condição financeira é o que mais importa para tomar a decisão de se aventurar em uma nova área.

A única exceção foram os profissionais de 40 anos em diante, pertencentes à classe média-baixa, para os quais o apoio da família e condição financeira são equivalentes. “Apesar de não haver idade para mudar de carreira, quanto mais experiência e responsabilidades alguém possui, mais o apoio dos pares é essencial”, opina Rijswijk, “O importante é que as pessoas estão priorizando sua felicidade. Arrisco dizer que a construção de profissionais felizes e mais produtivos se tornará cada vez mais uma tendência para as empresas no futuro”.

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