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Febre maculosa é um risco para a Baixada Santista? Entenda!

16 de junho de 2023

As três mortes causadas por febre maculosa em Campinas, no Interior de São Paulo, ligaram o alerta em todo Estado para uma possível endemia em outras áreas, como a Baixada Santista. Para a infectologista Elisabeth Dotti, a região não tem nenhum grande alarme no momento.

“A gente não tem nenhum grande alarme em relação, mas lógico que a gente tem que estar sempre atento, temos que estar preocupados, temos que fazer todas as revisões. Mas por enquanto estamos em alerta como todo resto do Estado. No entanto, com certeza, pra gente a incidência é mínima em relação ao Interior de São Paulo, por exemplo”, explica a especialista.

A doença é mais comum nas regiões Sul e Sudeste, sendo contraída por contato com carrapatos. De acordo com a doutora Elisabeth Dotti, a espécie transmissora da doença é a carrapato-estrela (amblyomma cajennense), que se manifesta principalmente em animais como vaca, boi, coelho e aves silvestres. Porém, pode se manifestar também em animais domésticos, algo não muito comum.

A febre maculosa é muito confundida com outras doenças mais comuns, como dengue e leptospirose, por isso muitas vezes o diagnóstico é mais difícil de ser feito. Contudo, a velocidade no diagnóstico da doença é extremamente importante.

Em resumo, a doença apresenta sintomas como febre alta, dor no corpo, cabeça, perda de apetite, náuseas, vômitos e aparecimento de manchas vermelhas no corpo, principalmente nas mãos e nos pés. E se a febre maculosa não for tratada com rapidez, a taxa de letalidade pode chegar até 55%.

“Tem tratamento, o problema é a rapidez. Quando você começa o quadro, não vai pensar nisso de imediato, e essa demora custa a vida, porque ela é bem agressiva. Tem antibiótico para isso, mas a grande questão em relação a essa doença é a rapidez com que você faz o diagnóstico. Por exemplo, se a gente está sabendo que aumentou o número de casos, está sabendo que tem na região onde você está, imediatamente começou os sintomas, tem que tratar”.

O que é febre maculosa?

Doença infecciosa febril aguda transmitida por carrapatos infectados pela bactéria Rickettsia rickettsii, presente principalmente no carrapato-estrela. Os carrapatos que transmitem a Rickettsia são chamados de Amblyomma cajennense e são encontrados em todo o território nacional. Para que haja a transmissão, o carrapato precisa ficar fixado à pele por pelo menos quatro horas. Não há transmissão de pessoa para pessoa.

Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil, duas espécies da Rickettsia estão associadas a quadros de febre maculosa: rickettsii, considerada a doença grave, registrada no norte do estado do Paraná e nos estados da Região Sudeste; e a parkeri, que tem sido registrada em ambientes de Mata Atlântica (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Bahia e Ceará), ligada a quadros clínicos menos graves.

Quais os sintomas?

Os sintomas são, de início, súbitos: febre alta, dor no corpo, na cabeça, prostração, perda do apetite, náuseas, vômitos e aparecimento de manchas avermelhadas principalmente nas mãos e nos pés, do segundo ao quinto dia, que podem evoluir para petéquias (pequenos pontos avermelhados na pele que lembram picada de mosquito) e equimose (manchas roxas). A doença tem formas leves e graves, incluindo a hemorrágica, com evolução para morte. A taxa de letalidade pode ser superior a 50%.

Tratamento

São administrados antibióticos Tetraciclina e cloranfenicol que evitam a proliferação de bactérias, contendo o agravamento da doença. O uso da medicação já deve ser feito mesmo antes da confirmação do resultado.

Em quanto tempo o quadro do paciente evolui para a morte?

O indivíduo pode evoluir para morte entre o 5º e o 15º dia após o início dos sintomas. Dependerá da agilidade no diagnóstico e início do tratamento. A febre maculosa é de difícil diagnóstico por apresentar sintomas inespecíficos e que se confundem com outras doenças, como leptospirose, zika, dengue e meningite, entre outras.

Qualquer carrapato pode transmitir a febre maculosa?

Os principais carrapatos que transmitem a febre maculosa no Brasil são três: Amblyomma cajennense (carrapato-estrela), Amblyomma cooperi (dubitatum) e Amblyomma aureolatum (carrapato amarelo do cão).

No interior de São Paulo, a febre maculosa está associada ao carrapato-estrela que, em geral, ocorre em áreas de mata silvestre e à beira de rios. Em geral, homens adultos são mais acometidos, por trabalharem nessas regiões. As ninfas (formas imaturas do carrapato) são os principais estágios evolutivos envolvidos na transmissão e predominam nos meses mais frios.

Como evitar a picada do carrapato?

Quem circula por áreas endêmicas deve usar botas, calças e blusas com manga comprida, cobrindo todo o corpo. É importante evitar locais com mato alto.

Há risco de infecção em áreas urbanas?

Sim. O Amblyomma aureolatum encontrado nos cães está envolvido na transmissão da doença nas regiões metropolitanas, principalmente nas cidades do Sudeste e Sul do país, onde ocorre o maior número de casos.

Quais as áreas endêmicas em São Paulo? Baixada Santista é endêmica para febre maculosa?

Jundiaí, Campinas e Piracicaba, em especial.

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