Uma raia-manta (Mobula birostris), espécie ameaçada de extinção, foi vista no Parcel Dom Pedro, área marinha localizada em Itanhaém, no litoral de São Paulo. O registro foi feito por pesquisadores do Projeto Mantas do Brasil, iniciativa do Instituto Laje Viva com parceria da Petrobras, por intermédio do programa Petrobras Socioambiental, durante uma expedição de monitoramento. A aparição marca o começo de mais uma temporada de avistamentos da espécie na área.
O animal reconhecido é uma fêmea com envergadura estimada entre 5 e 6 metros, podendo pesar mais de uma tonelada. A raia apresentava a cauda ausente, ferimento que provavelmente fica relacionada à interação humana. A perda de apêndices como a cauda é uma das marcas mais comuns descobertas em raias-mantas e evidencia os impactos da pesca incidental sobre a espécie.
“Fazemos essas expedições justamente para encontrar a raia-manta. No primeiro mergulho que dei na expedição, já a vi. Estamos muito felizes com esse registro”, contou a mergulhadora Luiza Gomes, assistente de pesquisa do Projeto Mantas do Brasil.
Novo pessoa: Moana
A pesquisadora relatou que o comportamento do animal chamou atenção por ser mais arisco do que o habitual para a espécie. Segundo ela, as raias-mantas costumam mostrar curiosidade e aproximação com mergulhadores, mas essa fêmea manteve distância durante o encontro. Ainda assim, foi viável registrar imagens frontais e da área ventral do animal. Cada exemplar tem um padrão único de manchas e pintas na face ventral, que funciona como uma impressão digital. Depois de a análise das fotografias, a equipe confirmou que se trata de um novo pessoa catalogado através do projeto. Como responsável através do registro, Luiza Gomes recebeu a honra de batizá-la de “Moana”.
Parceria com pescadores e o uso de tecnologia
Expedições regulares de monitoramento que permitem acompanhar a presença da raia-manta-gigante no litoral paulista. Imagem: Projeto Mantas do Brasil.
O primeiro avistamento feito através do projeto não foi uma surpresa separada. Pescadores locais já haviam comunicado ao menos três ocorrências de raia-manta na área do Parcel Dom Pedro nos dias anteriores à expedição. Isso orientou a escolha do ponto de mergulho. Além da busca ativa subaquática, a equipe utilizou drone para ampliar a área de monitoramento. A aeronave faz transectos pré-estabelecidos sobre a superfície do mar, permitindo reconhecer animais próximos à superfície e aumentar o esforço de busca.
Entre os principais objetivos de cada saída de campo fica a foto-identificação das raias-mantas. Ao fotografar e catalogar, os pesquisadores conseguem reconhecer pessoas no espaço do tempo, monitorar seus deslocamentos e acompanhar o estado de saúde de cada animal.
Em extinção
A espécie fica ameaçada de extinção, segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). O Litoral da grande São Paulo é uma das poucas regiões no país onde a espécie é observada com relativa regularidade, o que torna os registros importantes para o entendimento de sua distribuição e comportamento.
“Avistar uma raia-manta aqui no nosso litoral, no nosso quintal de casa, é indescritível. A sensação de felicidade e de pertencimento é enorme. Avistamos a primeira da temporada. Esperamos que essa temporada prometa bastante”, afirmou Paula Romano, coordenadora-geral do Projeto Mantas do Brasil.
A presença do animal é um sinal positivo para o ecossistema. Por ser um tipo filtradora, que se alimenta de plâncton e pequenos organismos, a raia-manta depende de águas produtivas e saudáveis.
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Com informações de Santaportal


