Quem passa de manhã pelas pistas do litoral paulista, principalmente aquelas que cortam trechos florestais, percebe a quantidade de animais mortos através do caminho, poças de sangue ou mesmo restos do que foi um ser vivo. O problema é que muitos animais são atropelados todos os dias nas pistas espalhadas através do Brasil, sendo muito deles selvagens e outros ameaçados de extinção.
Um trabalho acadêmico finalizado em 2014, de Alexandre Pereira Corrêa, pesquisou três pontos distintos da pista Padre Manuel da Nóbrega para coletar dados dos atropelamentos. Além de apresentar números e nomes dos animais, apontou possíveis soluções que podem melhorar essa tragédia ambiental, além de exibir preocupação com uma provável duplicação da pista.
O ponto 1 foi do km 292 (Praia Grande) até o 359 (Itanhaém), considerado área urbana, com alguns fragmentos de floresta nativa. A maioria dos animais atropelados neste segmento são domésticos, provavelmente por motivo da proximidade com as pessoas e casas.
Em um intervalo de 12 meses, foram identificados atropelados no segmento 16 cachorros, 12 gatos, 5 bois, 3 cavalos, 5 gambás e 10 urubus.
No ponto 2, que é tido o objeto de estudo da pesquisa, com potencial para corredor ecológico e que fica em Itariri (km 360 ao 363), foram identificados mais animais atropelados e, na grande parte deles, selvagens.
Isso pode ter ocorrido por que neste segmento fica o maior continuo de Mata Atlântica e faz conexões com 3 unidades de conservações, onde a fauna, possivelmente, faz travessia.
Num intervalo de um ano, foram coletados 58 gambás, 11 quatis, 12 roedores, 6 lagartos, 4 tamanduá mirim, 7 bichos preguiça, 5 jararacas, 15 urubus de cabeça preta, 4 tatus galinha, 1 jaguatirica e 7 porco do mato queixada.
Já no ponto 3 (km 363 ao 389) não foram mostrados dados expressivos que pudessem ser considerados, pois trata-se de um segmento da pista com pouca visibilidade, muita sinuosidade e circundado de abismos de um lado e encostas de morros de outro.
Em tese, neste segmento, haveria poucos pontos de travessia de animais e por isso com menor oportunidade de atropelamento.
É válido lembrar que o Litoral da grande São Paulo tem um ‘hospital’ referência em reabilitação de animais selvagens, conforme postado através do Diário do Litoral.
Resultados
O pesquisador considerou alto o número de atropelamentos, mas acredita que o número pode ser ainda maior, devido à remoção de carcaças frescas feitas por empregados da pista (DER, no momento do estudo) e também através do fato de algumas carcaças estarem sem condições de serem reconhecidas.
Conforme o trabalho apresentado, fica cada dia mais fácil apontar trechos da pista com maior número de atropelamentos conforme o estudo vai avançando e isso pode auxiliar na construção de corredores, tuneis, eco passagens ou pontes para a travessia da fauna.
Existe de se lembrar que a pista em questão foi privatizada e que existe planos para a duplicação no segmento entre Peruíbe e Miracatu, o que pode acarretar um número maior de mortes.
Trabalhos para impedir esses óbitos poderiam ser realizados e planejados em conjunto com as obras previstas na pista.
Essa matéria conseguirá ser atualizada caso o Consórcio Novo Litoral queira se manifestar.
Com informações do Diario do Litoral

