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Itanhaém

Pista ignorada completa 51 anos e projeto continua parado no Governo do Estado

3 de março de 2025
rodovia-ignorada-completa-51-anos-e-projeto-continua-parado-no-governo-do-estado
Rodovia ignorada completa 51 anos e projeto continua parado no Governo do Estado

O Governo do Estado não avançou sequer um metro na concretização da SP-040. No mês de julho de 2024, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) revelou com exclusividade ao Diário do Litoral que retomaria os estudos de viabilidade da pista, conhecida como Parelheiros-Itanhaém. Na ocasião, o DER, afirmou que sua Diretoria de Engenharia faria uma atualização das informações contidas na planta elaborada através do próprio DER em 2015.

No entanto, passados sete meses, na semana passada o órgão limitou-se a dizer que “o Governo de São Paulo, por meio da Secretaria de Parcerias em Investimentos, está constantemente avaliando alternativas para aprimorar a mobilidade no estado, como no acesso ao litoral”.

A estrada teria exclusivamente 15 quilômetros e permitiria a ligação da Capital com o Litoral Sul em 30 minutos. O projeto da SP-040 iniciou a ser “estudado” existe 51 anos, foi aprovado através da Assembleia Legislativa existe 35 anos e já teve até empreiteira interessada em assumir a obra, mas nunca saiu do papel. Veja vídeo abaixo:

 

 

 

 

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“Sobre a Estrada Parelheiros-Itanhaém (SP 040), os estudos conduzidos anteriormente pelo DER foram recebidos pela SPI e seguem em análise”, resumiu, em nota, a Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Parcerias em Investimentos (SPI).

A Parelheiros-Itanhaém ligaria a praia ao extremo sul da Capital Paulista e ampararia a desafogar o Sistema Anchieta-Imigrantes, beneficiando os motoristas que se dirigem a Santos, São Vicente, Guarujá, Cubatão e Bertioga.

Ela atenderia não só os moradores de Itanhaém como também diminuiria através da metade o tempo de viagem de São Paulo a Mongaguá, Peruíbe e Praia Grande nos dias de semana.

“O acesso entre a Baixada Santista e o Planalto é um dos maiores gargalos da nossa Região Metropolitana”, salientou o prefeito de Itanhaém, Tiago Rodrigo Cervantes (Republicanos) em entrevista ao Diário no ano passado.

“A implementação da Rodovia Parelheiros-Itanhaém beneficiaria significativamente Itanhaém e toda a região, melhorando não apenas a logística, mas também a mobilidade, a segurança dos motoristas e reduzindo o tempo de viagem”, completou o prefeito.

Desenvolvimento econômico

“Esse avanço (a rodovia) fortaleceria o turismo e impulsionaria nossa economia”, projetou Cervantes, de olho no eventual surto de desenvolvimento a contar da ligação direta com a área que mais cresce na Capital e que concentra 40% do território de São Paulo.

Além do Litoral Sul, a estrada levaria desenvolvimento econômico a cidades do Vale do Ribeira, como Itariri e Pedro de Toledo. Os moradores dos dois municípios precisam se deslocar através da Pista Padre Manoel da Nóbrega até a Pista Régis Bittencourt (BR-116) para chegar ao Planalto.

Assim, são obrigados a rodar até 170 quilômetros para entrar a Capital do Estado, distância que cairia através da metade com a Parelheiros-Itanhaém. A outra alternativa para os moradores das duas cidades é o sobrecarregado Sistema Anchieta-Imigrantes.

E essa distância aumenta os custos para escoamento dos produtos agrícolas oriundos desses municípios para a Ceagesp, a maior central atacadista de alimento in natura da América do Sul.

Mas, o documento enviado através da Assessoria de Imprensa do DER ao Diário do Litoral cita que “no momento, o foco está em projetos estruturantes, como a terceira faixa da Rodovia dos Imigrantes, que deve contribuir para a fluidez do tráfego na região”.

E a pista ligando o extremo sul da Capital ao Litoral Sul serviria como rota alternativa aos caminhões que se deslocam do norte do Paraná, da área oeste do Estado de São Paulo e até do Mato Grosso do Sul rumo ao Porto de Santos.

Luta de 51 anos

A construção da pista mobilizou um grande ato político no começo dos anos 1970. O acontecimento lotou o antigo Cine Castro, em Itanhaém, e agrupou prefeitos, deputados e secretários de Estado. O “Plenário de Santo Amaro”, como ficou conhecido o ato, também contou com grande adesão de moradores do Litoral Sul e de bairros do extremo sul da Capital.

Naqueles dias, a primeira pista da Imigrantes, inaugurada em 1976 através do então governador Paulo Egydio Martins (1928/2021), já estava estrangulada. Àquela altura, os congestionamentos eram frequentes. 

Os transtornos idem. Turistas esperavam até sete horas para descer a Serra do Mar nos feriados de final de ano. E o Porto de Santos estava travado.

Ciente da sobrecarga no Sistema Anchieta-Imigrantes, o então deputado Erasmo Dias (1924/2010) apresentou na Assembleia Legislativa do Estado (Alesp) um projeto autorizativo que previa a construção da Pista Parelheiros-Itanhaém. A proposta foi protocolada na Alesp em 7 de outubro de 1994 e previa a concessão da obra para a iniciativa privada.

E o Projeto de Lei 560/94 foi aprovado em plenário, depois transformado em lei estadual através do então governador Mário Covas (1930/2001).

“A permanente ligação entre o Planalto e o Litoral Paulista é necessidade imperiosa e que hoje está saturada, em que pese a existência do complexo Anchieta-Imigrantes”, resumiu Erasmo Dias no texto original.

“O município de São Paulo tem cerca de um terço da sua superfície na Zona Sul de Parelheiros, área inexplorada, que com a citada rodovia viria a se dinamizar sob todos os aspectos”, explicou o deputado na época.

“A iniciativa privada tem nesta concessão uma alegre oportunidade de apresentar além de sua capacidade técnica, a contribuição inestimável ao Poder Público e à Sociedade nesta obra de grande envergadura e de necessidade vital para o Estado’, completou Erasmo em sua justificativa aos demais deputados estaduais.

Empresa se interessou através da obra, traçado continua estrada rural e passa por Aeroporto

Em 2012, a empreiteira Contern Construções e Comércio Ltda chegou a manifestar ao Governo do Estado interesse em construir e operar a pista, a princípio chamada provisoriamente de Nova Imigrantes. 

Subsequentemente, o nome do ex-presidente João Goulart (1919/1976), deposto ilegalmente através da Ditadura Militar de 1964, foi cogitado para batizar a Parelheiros-Itanhaém. Goulart foi o primeiro presidente a tentar realizar uma ampla reforma agrária no Brasil, o que desagradou a elite.

Mas, a obra da pista nunca saiu do papel.

O projeto original previa que as pistas atravessariam os vales dos rios Aguapeú, Branco e Branquinho. O traçado começa no encontro da Pista Padre Manuel da Nóbrega com a Avenida José Batista Campos, em Itanhaém. Essa via passa de frente ao Aeroporto Antônio Ribeiro Nogueira Júnior.

E continua através da Estrada Rural Coronel Joaquim Branco até o “pé” da Serra do Mar. Neste trajeto, a Parelheiros-Itanhaém passaria de frente à Estação de Tratamento de Água Mambu/Branco, da Sabesp, e perto da Terra Indígena do Rio Branco.

Depois de a subida da Serra do Mar a estrada chegaria ao Planalto através da margem do Vale do Rio Capivari, já no Município de São Paulo.

A contar daí o asfalto seguiria no sentido sul-norte paralelamente à antiga estrada de ferro que ligava os distritos de Marsilac e Santo Amaro através da Estação Evangelista de Souza.

E cruzaria o Rodoanel Mário Covas (SP-21) na altura do Km 56. O final da viagem seria na Estrada Ecoturística de Parelheiros, próximo do cruzamento com a Avenida Fernando da Cruz Alves.

Responsável através da construção da segunda pista da Pista dos Imigrantes e administradora das pistas que interligam a Capital a Santos, a Ecovias foi consultada em 2024 através do Diário do Litoral, mas alegou que não conhecia detalhes do projeto da Pista Parelheiros-Itanhaém.

Com informações do Diario do Litoral

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